Historias para Alicia #2 : Mergulho no Passaúna

Era o fim do inverno de 2000. Fazia muito tempo que não desciamos para Bombinhas e já estávamos na seca para mergulhar em algo que não fosse piscina. Num sábado o sol saiu e eu tive uma brilhante idéia. Tínhamos um conhecido (aka: Gringo Puto) que estava morando em uma cabana no Parque do Passaúna. Ele nos falou que tinha uns 2 caiaques e como ele nos devia um montão de favores que quando eu e o seu pai quiséssemos podíamos usar os caiaques. Então juntei:  caiaques+sol divididos por dias sem mergulhar = mergulho em altitude no Passaúna. Seu pai acabou topando a idéia nem tanto pelo mergulho mas creio que mais pela aventura insolita. Por que por mais que não fosse proibido mergulhar igual não é um lugar de mergulho e por la tinha uns guardinhas florestais de moto rondando a área e pentelhando os “passaunences” que iam brincar com as crianças numa tipo prainha de areia que tem por la (ou tinha). Na duvida ia ter que ser uma parada tipo clandestina. O que fizemos: colocamos o equipamento de mergulho dentro do caiaque. Vestimos a roupa de neoprene e botamos o caiaque na água. Ao entrar na água o equipamento foi boiando ao lado esquerdo do caiaques, oposto a quem nos observava da margem. O Gringo foi num caiaque single na frente e amarrado ao nosso caiaque duplo. Marcamos o tempo da ronda do robocop-florestal para que quando ele desse a volta na curva e nos perdesse de vista eu e o Diego íamos pular na água, botar o equipamento e afundar. O Gringo seguia com os caiaques e nós ao mergulho. Quando já tínhamos atingido uma boa distancia e o robocop saiu de vista pulamos na água. Um alivio,  por que remar com roupa de neoprene (primeira mas não a ultima vez que remava usando neoprene) por mais que seja fim de inverno em Curitiba não é nada fácil. Afundamos atrás do caiaques e o alivio do calor e a satisfação de haver concluída a primeira etapa da aventura deu lugar a uma sensação de espanto. A visibilidade era a pior que já tinha visto na minha vida. A agua estava bem fria também. O fundo de lodo e areia com terra levantava uma suspensão que erguia uma parede de sujeira. No fundo vários galhos retorcidos. E alguns trechos havia como largos círculos de sedimentos com cor mais escura e daquele lugar a agua era mais fria. Posteriormente seu pai chamou de “circulos do capeta”. Resumindo um lugar horrível e pavoroso. Fora que comecei a pensar que não ia demorar muito e íamos encontrar algum “peixe-presunto” (não sei com que idade vai estar lendo isso?). Igual eu e o seu pai dávamos risadas no regulador. So escutava o seu pai por que ver mesmo ele não dava. Mergulhamos amarrados um ao outro. Tínhamos uma corda de mais ou menos um metro que atamos no braço respectivamente. O problema é que os galhos que apareciam pela frente davam um trabalho pra desviar ou pra desenrorcar. Com uma bússola traçamos o rumo de volta a margem da represa, na tal prainha. Antes de chegar na margem encontramos os destroços do que seria a entrada de uma casa. Furtivamente eu subi para confirmar nossa localização e conferir onde estava o guarda florestal. Ele estava justo passando na minha frente. Afundei e usamos o tempo para nos aproximar mais da prainha. Foi o guarda virar na curva e as crianças do Passaúna e moradores da região presenciaram uma cena bem insólita, dois mergulhadores saindo da água. Corremos para o garagem dos caiaques. Demos muita risada. Quando nos perguntaram e como foi: “Massa!” Porém quando descreviamos o mergulho nos olhavam como se fôssemos doidos. Existem coisas que só pela aventura e o insólito já valem a pena. Então se algum você tiver alguma ideia insólita e maluca e o seu pai não deixar lembre ele do mergulho na Passaúna.

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5 respostas para Historias para Alicia #2 : Mergulho no Passaúna

  1. Sílvia disse:

    Lindo texto! Parabéns!
    André, saudades de você, de Bombinhas.. /de um tudo que vivemos juntos!
    Com mor e carinho
    Sílvia

  2. Diego Rocha.'. disse:

    HAHAHAHA… Relembrando antigas histórias e complicando minha vida! Só vou deixar a Alícia ler o seu blog quando tiver 30 anos!!! hahahaha…
    Realmente essa é uma das melhores histórias e foi muito divertido aquele mergulho. Você esqueceu de dizer que teve um guardinha que nos viu saindo e veio dizer que era proibido mergulhar ali. Mas, como ja havíamos terminado o mergulho ele ficou com cara de otário e não pode fazer nada! hahaha…
    O bom é que eu também vou poder contar essas histórias para a Isabela, afinal de contas o pai dela também participou! hahaha…
    Um abraço.

  3. Cacau Folador Rocha disse:

    Ai ai… Alícia e Isabella, que excelentes exemplos! Ainda bem que os papais sobreviveram para contar todas as histórias e para que elas viessem a existir! rsrs Estamos adorando as histórias, vou ler todas pra ela! Enquanto ela não sabe exatamente do que se trata, pelo menos! hahaha
    Beijão

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